Discernindo a voz de Deus e do mundo
Presbítero Júlio Ferreira
Que a paz do Senhor Jesus Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os nossos corações e as nossas mentes.
Queridos irmãos e irmãs, hoje somos chamados a uma reflexão que não é meramente cultural ou social, mas profundamente espiritual. Vivemos em um mundo que constantemente nos oferece entretenimento e prazeres, mas é nosso dever, como servos do Altíssimo, discernir as vozes que nos chamam.
O apóstolo Paulo nos admoesta em Romanos 12:2:
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Existem três situações ou alertas, como queira chamar, que precisam de nossa atenção: 1) o Carnaval; 2) as fofocas e as más conversações; 3) e o perigo das amizades que nos afastam do caminho.
O que o Espírito Santo tem a dizer sobre essas coisas? Vamos à Palavra.
1) A festa da carne vs. o fruto do Espírito
Irmãos, não podemos fechar os olhos para o que o mundo chama de "festa”, "festança" ou "carnaval" (não vamos entrar aqui no significado morfológico das palavras). O apóstolo Paulo é claro em Romanos 13:13:
"Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja."
O que é o Carnaval, senão a exaltação das "obras da carne" que Paulo lista em Gálatas 5:19-21? Veja:
"Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus."
Pedro, em sua primeira epístola, capítulo 4:3, nos lembra que, no passado, podemos ter andado "em dissoluções, concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias", mas agora, como filhos, devemos nos afastar disso.
O Carnaval, em sua essência moderna, muitas vezes, se torna um palco para exatamente essas obras: a sensualidade desenfreada, o excesso de bebida e a busca pelo prazer egoísta. O crente não pode participar dessas "festanças descontroladas" porque elas são "obras pertencentes à escuridão".
Não estamos aqui para proibir a alegria, pois a Bíblia nos ensina a nos alegrarmos no Senhor (Salmos 32:11), mas a alegria do mundo é passageira e baseada na satisfação da carne.
2) A língua incendiária: fofocas e más conversações
Se o Carnaval é a festa que macula o corpo como templo do Espírito Santo, a fofoca é o veneno que corrompe a alma da comunidade. O mesmo Paulo que nos alertou sobre as festanças, também nos exorta a respeito do nosso falar. Em Efésios 4:29, ele ordena:
"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem."
A "má conversação" é aquela que destrói a reputação do próximo, que espalha contendas e semeia discórdia entre os irmãos. Provérbios nos adverte:
"O que encobre a transgressão busca a amizade, mas o que renova a questão separa os maiores amigos" (Provérbios 17:9).
E mais incisivo:
"As palavras do maldizente são como doces bocados, que descem ao íntimo do ventre" (Provérbios 26:22).
A fofoca não é um pecado menor; ela é uma arma do inimigo para desestabilizar a Igreja. Tiago compara a língua a um fogo:
"Ora, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade; a língua está entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno" (Tiago 3:6).
Irmãos, as más conversações, as piadas de duplo sentido, as críticas destrutivas disfarçadas de "preocupação" ou "pedido de oração", tudo isso mancha o testemunho e entristece o Espírito Santo de Deus.
3) As más amizades corrompem os bons costumes
E o terceiro, mas não menos importante, alerta de hoje são as más amizades. Não podemos andar em festanças, nem alimentar fofocas, se estamos rodeados por pessoas que vivem precisamente isso. O apóstolo Paulo já havia dado o veredito em 1 Coríntios 15:33:
"Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes."
Se temos comunhão com aqueles que têm prazer na festança e na fofoca, seremos contaminados por eles. Provérbios 13:20 nos dá a chave para a sabedoria:
"Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido."
Meus amados, uma amizade que te leva para longe da Palavra, que normaliza o pecado, que incentiva a fofoca ou que te convida para as "festas do mundo", não é amizade, é um laço de perdição. O salmista declarou:
"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores" (Salmos 1:1).
Há uma progressão aqui: andar, deter-se, assentar-se. Cuidado com os primeiros passos.
Fomos chamados para amar
Então, diante disso, qual é a nossa resposta? O apóstolo Pedro nos oferece o antídoto. Depois de nos exortar a deixar para trás as "libertinagens, paixões, bebedeiras, orgias" (1 Pedro 4:3), ele nos conclama a algo maior:
"Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados" (1 Pedro 4:8).
O que o mundo busca no Carnaval, nas fofocas e nas más amizades é uma forma distorcida de comunidade e aceitação. Mas nós, irmãos, fomos chamados para AMAR, o amor responsável que vem de Deus.
Um amor que não se aproveita do outro, que não destrói com a língua, que não conduz ao pecado, mas que edifica, cobre falhas com graça e nos une em santa comunhão.
Portanto, vigiemos. Fujamos da aparência do mal. Purifiquemos as nossas conversas. Escolhamos amizades que nos aproximem de Cristo. E que a nossa alegria não esteja nas festas da carne, mas na certeza de que o nosso nome está escrito no Livro da Vida, e que herdaremos o Reino preparado para nós desde a fundação do mundo.
Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.

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