Pare de criar guerras desnecessárias

Um homem rico e orgulhoso aparece diante de guerreiros, enquanto Jesus ajuda outro homem a atravessar uma ponte iluminada pelo pôr do sol, simbolizando humildade e reconciliação.

Pr. Jonathan Nascimento 

Hoje falaremos sobre algo que destrói mais do que qualquer crise financeira: o ego inflado que cria guerras que não precisavam existir. 

Tem um tipo de destruição que não vem de fora. Não é o concorrente, não é a crise do mercado, não é o sócio que traiu. É uma destruição que nasce dentro, alimentada pela barriga cheia e pelo ego inflado.

A história de Nabal é sobre isso.

"Seu nome era Nabal e o nome de sua mulher era Abigail, mulher inteligente e bonita; mas seu marido, descendente de Calebe, era rude e mau." (1 Samuel 25:3)

Nabal era rico de verdade. Mil cabras, três mil ovelhas, tudo indo bem. Era o dia da tosquia, que era basicamente o pico do faturamento anual dele. Estrutura transbordando, caixa cheio, negócio funcionando.

E foi exatamente aí que tudo desandou.

Davi manda dez rapazes com uma mensagem respeitosa. Pede uma contribuição, lembra que os homens dele protegeram os pastores de Nabal no deserto, sem cobrar nada. Foi um pedido legítimo, de quem tinha crédito de verdade com aquele homem.

"Nabal respondeu: Quem é Davi? Quem é esse filho de Jessé? Por que deveria eu pegar meu pão e minha água e dá-los a homens que vêm não se sabe de onde?" (1 Samuel 25:10-11)

Nabal não precisava daquela guerra. Ele tinha recursos de sobra para abençoar Davi e selar uma aliança de longo prazo com o futuro rei de Israel. Mas a arrogância fez ele enxergar generosidade como fraqueza.

E aqui está o ponto: a arrogância de Nabal não começou no dia em que ele respondeu mal. Ela foi construída aos poucos, na mesma velocidade em que a barriga foi enchendo.

O orgulho não aparece do nada 

Nabal não acordou um dia decidido a ser arrogante. Ele foi se tornando Nabal aos poucos.

Cada vez que ele cresceu e não deu crédito a ninguém, ele foi se tornando Nabal. Cada vez que ele tratou mal alguém menor e ninguém reclamou, ele foi se tornando Nabal. Cada vez que a estrutura dele cresceu e ele achou que foi só ele que construiu, ele foi se tornando Nabal.

O perigo não é o sucesso. O perigo é o sucesso sem memória. Sem lembrar de quem estendeu a mão quando você não tinha nada. Sem reconhecer as muralhas invisíveis que Deus colocou ao redor da sua história enquanto você dormia.

Pensa na sua vida agora. Tem alguém que você deixou de valorizar porque você cresceu? Tem fornecedor, funcionário, parceiro, mentor, que você tratava bem quando precisava e hoje você nem olha nos olhos? Tem alguém que foi muralha para você e que hoje você trata como estorvo?

Esse é o espírito de Nabal operando na sua rotina.

A burrice custou caro

"Davi ordenou a seus homens: Ponham suas espadas na cintura! Cerca de quatrocentos homens acompanharam Davi." (1 Samuel 25:13)

Nabal comprou uma briga de morte com um exército de 400 homens armados. Por quê? Porque não quis baixar a guarda. Porque achou que o dinheiro dele dava o direito de ser insolente.

Tem gente que é tão miserável de espírito que prefere criar uma guerra desnecessária e arriscar a falência de tudo do que reconhecer o valor do outro.

E a consequência não tardou. Nabal morreu. A empresa dele sobreviveu, mas ele não estava mais nela. O orgulho fecha portas que o seu faturamento não consegue reabrir.

O modelo que a gente precisa seguir

O apóstolo Paulo apresenta o antídoto exato para o espírito de Nabal.

"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo." (Filipenses 2:5-7)

Jesus tinha mais autoridade do que Nabal jamais poderia sonhar ter. Mas Ele não usou isso para criar distância. Ele usou para construir pontes.

Esse é o modelo. Não é fingir que você não tem autoridade, talento ou recurso. É entender que tudo isso é ferramenta para servir, não escudo para se isolar.

Quem constrói legado duradouro não constrói muros, constrói pontes. Não cria guerras por ego inflado, cria alianças por visão de longo prazo.

Vamos orar?

Senhor, hoje eu reconheço que em algum momento da minha jornada eu já agi como Nabal. Já tratei mal quem não merecia. Já ignorei quem me ajudou. Já confundi sucesso com superioridade.

Arranca de mim esse espírito. Toda arrogância que foi crescendo junto com a minha estrutura. Todo orgulho que me faz tratar pessoas como obstáculos ao invés de parceiros.

Que eu tenha a mente de Cristo. Que eu me esvazie do ego que me isola e me encha da humildade que constrói. Que eu seja alguém que semeia alianças, que honra quem caminhou comigo, que reconhece as mãos invisíveis que sustentaram a minha história.

Eu construo pontes, não guerras. Que isso seja decretado na minha vida a partir de hoje. Em nome de Jesus, amém.

Declare: "Eu construo pontes, não guerras!"

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